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Ícone de calendário13/10/2026 - Tadeu Alencar Arrais

Sempre teremos a UFG...

Artigo de opinião escrito pelo professor Tadeu Alencar Arrais

Sempre teremos Paris.

Fala de Rick Blaine, interpretado por Humphrey Bogart, no final do filme Casablanca.

 

A Universidade Federal de Goiás anunciou, para o dia 12 de dezembro de 2026, o tradicional Baile da UFG – 2026. Trata-se de um momento de confraternização da comunidade universitária, excluindo, em função do preço dos ingressos, o quadro discente. Reconheço que o festejo é um momento importante de integração. Atrevo-me a pensar, amparado na angústia, se o momento é oportuno. Arrisco-me a interrogar, a despeito das antipatias que a exposição dessa opinião possa despertar, o quanto seria mais oportuno dedicar nossas energias às discussões, quem sabe em uma Assembleia Universitária, sobre os destinos da universidade pública brasileira.

Essa opinião, mesmo sendo expressão de uma agonia individual, pode até ser compreendida como residual no ambiente docente universitário. Existem, mesmo, aqueles que acreditam ser a universidade uma instituição imaculada, cujo destino, por depender das competências individuais de cada docente, fique à margem das decisões políticas nacionais. Essa mesma universidade, edificada sobre o discurso da eficiência, estaria, nesse argumento, blindada daqueles ventos que não movem moinhos. A reprodução da vida de uma diminuta fração dos seus docentes, de igual modo, estaria garantida, em função da expertise em pesquisas, por recursos provenientes de uma infinidade de fundações assentadas no interior das universidades públicas. A privatização não é um processo exterior aos nossos desejos e práticas cotidianas.

Essa não é, no entanto, a universidade com a qual travei contato nos últimos trinta e quatro anos. Convivo, porque atuo em um curso de licenciatura, com uma realidade totalmente distinta. A métrica da eficiência, acreditem, passa, primeiramente, pela superação do desafio da permanência dos estudantes. Vencer distâncias enormes entre a residência, o trabalho e a universidade pode ser um obstáculo maior que a publicação de um artigo em uma revista Qualis A-1 ou mesmo a apresentação de um trabalho em uma universidade europeia ou chinesa. Os recorrentes atrasos discentes, especialmente no período noturno, podem resultar da necessidade de uma refeição apressada no Restaurante Universitário ou simplesmente da exaustão diante de trabalhos precários na escala 6X1. O destino dessa universidade, ao contrário do que pensam aqueles que planam, indiferentes ao futuro, em seus corredores, está ligado às decisões políticas nacionais que podem ou não, por exemplo, reduzir recursos para a assistência estudantil, pagamentos de bolsas ou mesmo manutenção predial.

Enfim, ao acreditar, sem prejuízo das opiniões contrárias, que o futuro dessa universidade está em risco, sinto-me confortável em dizer que não há motivo algum para dedicarmos nossas energias ao fúnebre festejo. Há um hiato, um vazio, uma angústia, uma amargura, no ar. Algo, talvez, similar ao sentimento final que moveu a nobre escolha de Rick Blaine, em Casablanca. Desconfio, diferente dele, de que nem sempre teremos a UFG.