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Proifes e Adufg na Conferência Mundial de Mulheres

A presidenta do Adufg-Sindicato, professora Geovana Reis, é uma das representantes do Proifes-Federação na 5ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação (IE), realizada entre os dias 15 e 17 de setembro, em Camaçari (BA). O evento reúne lideranças femininas do movimento sindical da educação de diferentes países e tem como tema “Unidas na luta pela justiça de gênero: educar o mundo, liderar a mudança e em defesa da democracia”.

A conferência é co-organizada no Brasil por entidades vinculadas à Internacional da Educação, entre elas o Proifes-Federação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE). Cerca de 370 lideranças femininas de sindicatos da educação participaram do primeiro dia de atividades, representando mais de 125 organizações de 57 países. “

"Estamos discutindo as questões relacionadas ao debate sobre a igualdade de gênero nas nossas organizações sindicais, além da formação de lideranças femininas no movimento social e, em especial, nos sindicatos de educação. Terminamos este primeiro dia com uma grande produção de conhecimento e trocas de experiências”, afirmou Geovana.

Mulheres nos espaços de decisão
A abertura da 5ª Conferência Mundial de Mulheres destacou a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de poder e decisão da educação e do movimento sindical. Integrante do Comitê Executivo da Internacional da Educação (IE) e secretária-geral do sindicato de professores do Senegal, Marième Dansokho chamou atenção para o contraste entre a maioria feminina entre os profissionais da educação e a baixa representatividade das mulheres em cargos de liderança.

Segundo a dirigente, o enfrentamento das estruturas patriarcais é necessário para ampliar a participação das mulheres nos sindicatos, nas escolas e na sociedade.

A presidenta da CNTE, Fátima Silva, ressaltou a trajetória histórica das mulheres na defesa de direitos, da democracia e da igualdade. Ela também destacou a importância da união diante de desafios como as crises globais, o ódio no ambiente digital e a precarização do trabalho.

A secretária de Educação da Bahia, Luciana Menezes Silva, relacionou a promoção da igualdade de gênero ao fortalecimento da democracia e ao enfrentamento da violência contra as mulheres e do feminicídio. Para ela, a escola desempenha papel fundamental na formação de valores e na construção de uma sociedade mais justa.

Diversidade também é participação
Os desafios para ampliar a liderança feminina foram aprofundados durante a sessão “Abrindo caminho: removendo barreiras à liderança feminina nos sindicatos”. O debate abordou as dificuldades enfrentadas por mulheres negras e pardas, jovens, indígenas, migrantes, LGBTQIA+ e com deficiência.

A professora indígena Edinalva da Silva Mendes (Edy Serigy Tupinambá), diretora do SINTESE, destacou o apagamento histórico dos povos indígenas e defendeu uma participação efetiva dessas comunidades nos sindicatos, especialmente nos espaços estratégicos de decisão. A dirigente também ressaltou a importância de enfrentar de forma conjunta as desigualdades de gênero e raça e os efeitos da colonialidade.

Representantes de sindicatos do Reino Unido, Quênia, Antígua e Barbuda compartilharam experiências sobre os obstáculos enfrentados por mulheres que ocupam ou buscam posições de liderança. Entre os desafios apontados estão a necessidade de apoio financeiro e familiar, especialmente para mães que exercem funções de gestão. A troca de experiências também contribuiu para a construção coletiva de estratégias destinadas a ampliar a participação feminina nas organizações sindicais e fortalecer redes de colaboração e apoio entre mulheres.

Novo plano para a igualdade de gênero
A programação do primeiro dia contou ainda com atividades sobre negociação, comunicação e construção de narrativas. Na plenária final, foi lançado o Novo Plano de Ação para a Igualdade de Gênero da Internacional da Educação, que estabelece prioridades para a promoção da justiça de gênero e dos direitos das mulheres na educação e no movimento sindical até o Congresso Mundial da IE, em 2029.

O documento reúne propostas discutidas ao longo da conferência e reforça o compromisso da Internacional da Educação com a ampliação da participação das mulheres nos espaços de liderança e decisão.