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Ministro da Educação alerta para riscos das bets aos estudantes

O combate à desinformação e o incentivo à educação como alternativa às apostas on-line estiveram entre os assuntos abordados pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante participação no programa "Bom Dia, Ministro", da TV Brasil, nesta quarta-feira, 4 de novembro. Na entrevista, transmitida ao vivo pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), também foram discutidas iniciativas como a ampliação do Pé-de-Meia, a criação do Pé-de-Meia Universitário e a expansão da educação em tempo integral e da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. 

Ao comentar a importância de ampliar as oportunidades de acesso à educação superior, o ministro fez um alerta aos jovens sobre os riscos das apostas on-line e celebrou sua proibição no país.   

"Temos pesquisas que demonstram que quase 1 milhão de estudantes que estavam cursando faculdades privadas no Brasil tiveram problemas de não ter dinheiro para as mensalidades por conta das bets. A gente estava no risco, na iminência de ter mais de 1 milhão de estudantes abandonando o ensino superior, porque as pessoas estavam pegando o dinheiro da mensalidade da faculdade e apostando. Imagina o impacto que isso tem na vida das pessoas. Dessa forma, para a educação, a proibição das apostas no Brasil foi muito benéfica", destacou. 

Durante a entrevista, o ministro contestou informações que circularam nas redes sociais sobre supostos cortes imediatos de R$ 6 bilhões nos orçamentos dos ministérios da Educação e da Saúde, as classificou como falsas e explicou que os valores divulgados não correspondiam à situação orçamentária apresentada pelo governo. 

"Quando a gente recebeu o Ministério da Educação, o orçamento era de R$ 160 bilhões. Nós vamos para o ano que vem com R$ 280 bilhões e teremos o melhor orçamento da história. Não há possibilidade de corte. E a gente espera ainda mais. Com a expansão do Pé-de-Meia Universitário e do Pé-de-Meia, esse orçamento ainda vai ter que ser reforçado ao longo de 2027", revelou. 

Pé-de-Meia – Um dos temas da entrevista foi a ampliação do programa Pé-de-Meia. Barchini destacou que o programa é muito importante para o aprendizado do estudante e reforçou que o Ministério da Educação (MEC) trabalha para estender o programa a todos os estudantes do ensino médio público até o final de 2027.  

"O Pé-de-Meia, no Brasil todo, diminuiu o abandono escolar em 61%, a reprovação caiu 62% e a distorção idade/série, que é o atraso escolar, caiu 28%. Então, os resultados do Pé-de-Meia são incontestes. Não é um programa assistencialista, é um programa pedagógico, que influi diretamente na aprendizagem do estudante, porque ele tem que ter uma frequência de mais de 80% e passar no final do ano para continuar recebendo o benefício", frisou. O ministro destacou ainda que o compromisso agora é de ampliação do Pé-de-Meia: "a determinação do presidente Lula é de que esse benefício seja universalizado para todos os estudantes (de escolas públicas), e estamos estudando a formas de implementação". 

Pé-de-Meia Universitário – O ministro também apresentou informações sobre o Pé-de-Meia Universitário, iniciativa que está em fase final de elaboração e tem previsão de implementação em 2027. A proposta é apoiar a permanência de estudantes de baixa renda nas universidades federais, especialmente aqueles pertencentes a famílias inscritas no CadÚnico. 

"O perfil do estudante da universidade federal no Brasil mudou radicalmente. Até 20, 30 anos atrás, nós tínhamos apenas 1/3 de estudantes que vinham de escola pública e 2/3 de escola privada. O presidente Lula mudou radicalmente isso. E, hoje, 2/3 dos estudantes que estão nas universidades federais vêm de escola pública", afirmou.  

"A gente conseguiu democratizar, fazer da universidade pública federal uma universidade com a cara do Brasil. Mas a gente precisa dar outro tipo de assistência para que esse estudante permaneça. Acessar o ensino superior é uma das batalhas que esse estudante vence, e permanecer é outra batalha igualmente difícil. Então, nós vamos adotar o Pé-de-Meia Universitário e implementar em todo o país, para todos os estudantes de famílias mais vulneráveis", garantiu o ministro. 

O modelo em discussão prevê o pagamento mensal de R$ 700 e o depósito de outros R$ 250 em uma poupança. Ao longo de quatro anos, o valor acumulado poderá chegar a R$ 10 mil, corrigidos pela inflação, com saque previsto após a conclusão do curso. O recebimento estará condicionado à permanência na graduação e ao cumprimento do prazo estabelecido para a formação. 

Educação em tempo integral – A expansão da educação em tempo integral também esteve entre os assuntos tratados. O ministro destacou a evolução no número de matrículas na modalidade, que pulou de 15% para 25% desde o início do governo, e falou sobre a ampliação na adesão de municípios ao programa Escola em Tempo Integral, lembrando que o objetivo é chegar a todo o país. 

A proposta dessa expansão envolve a articulação entre União, estados e municípios, com assistência técnica e recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O modelo de educação em tempo integral prevê atividades que vão além das aulas regulares, incluindo cultura, esporte, lazer, artes, cidadania, direitos humanos e educação ambiental. 

"Quando a gente assumiu em 2023, nós criamos o programa Escola em Tempo Integral. Isso fez com que a gente passasse de 17% para 91% dos municípios brasileiros com política de tempo integral. Queremos chegar a 100%. Cada município tem sua realidade, tem sua autonomia. O que o MEC vai fazer é prestar toda a assistência técnica necessária e garantir os recursos do Fundeb para que esses municípios possam expandir suas matrículas", sublinhou. 

Expansão dos institutos federais – Na área da educação profissional e tecnológica, o ministro falou sobre a previsão de criação de 200 novas unidades da Rede Federal nos próximos quatro anos, como parte da meta de chegar a mil unidades em todo o país. Segundo Barchini, o MEC já recebeu mais de 100 propostas de municípios interessados em sediar novos campi, com ofertas de terrenos e prédios para instalação das instituições.  

Durante a conversa, Barchini enfatizou também os investimentos realizados desde 2023, com a expansão e consolidação dos IFs em todo o país. "Fizemos um investimento inédito nos institutos federais. Quando o presidente Lula assumiu em 2003, nós tínhamos somente 140 escolas técnicas, institutos federais, no Brasil. E agora, até o final do ano, o presidente vai entregar o instituto federal de número 800. Desde 2023, expandimos em 100 unidades, investimos mais de R$ 4 bilhões de reais na consolidação. Fizemos mais de 270 restaurantes estudantis nos institutos federais nesses três anos e meio. Tem obra no Brasil inteiro", reforçou. 

Universidade Federal Indígena – Outro tema abordado foi a criação da primeira Universidade Federal Indígena que, juntamente com a Universidade Federal do Esporte, foi sancionada pelo presidente Lula. Em resposta a um jornalista do Acre, o ministro Barchini falou sobre o "marco histórico" que é a criação da instituição. 

"Nós já temos a sede da universidade que foi adquirida recentemente pelo Ministério da Educação. A Sede ficará aqui em Brasília, mas será uma universidade multicampi, ou seja, serão 20 campi espalhados pelo Brasil, em 20 localidades. Dentre elas, o Acre está incluído", acrescentou. 

O ministro mencionou o aumento das bolsas de permanência destinadas a estudantes indígenas nas universidades federais.  "Nesses últimos quatro anos, nós dobramos o número de bolsas de permanência para indígenas nas universidades federais do Brasil. Nós vamos chegar, no final do ano, com toda a população indígena atendida, todos os estudantes que vêm de comunidades indígenas atendidos, o que também significa um salto quantitativo e qualitativo muito importante para essa população específica". 

Enem e avaliação dos cursos de medicina – O Enem 2026 também foi mencionado durante o programa. A edição deste ano ultrapassou a marca de 5 milhões de inscrições confirmadas, o maior número desde 2020. As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. 

Na entrevista, Barchini citou iniciativas de preparação para os participantes, como o apoio a mais de 1,5 mil cursinhos populares por meio da Rede Nacional de Cursinhos Populares e o aplicativo MEC Enem, que oferece simulados e recursos de apoio à produção de redações. 

Além disso, comentou sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cuja segunda edição foi aplicada em setembro de 2026. Os resultados estão previstos para o fim de novembro. Segundo Barchini, a primeira edição, realizada em 2025, identificou desempenho insuficiente em cerca de 30% dos cursos de medicina avaliados. As instituições podem estar sujeitas a medidas regulatórias, como redução de vagas e restrições relacionadas ao Prouni e ao Fies, conforme os resultados e os procedimentos de supervisão. 

"A gente teve uma expansão desenfreada, muitos cursos de qualidade duvidosa. Por isso que implementamos esse exame em 2025. Já tivemos os primeiros resultados, e 30% dos cursos foram reprovados. Então, já aplicamos sanções, penalidades no Prouni e no Fies. Fizemos a segunda edição agora, em 2026, e teremos os resultados no final de novembro. Agora, para você concluir o curso de medicina, você vai ter que ser proficiente nesse exame. Ao mesmo tempo, vamos avaliar todas as faculdades de medicina e fechar aquelas que são ruins. Não é possível que a gente forme médicos de má qualidade no Brasil. Isso é inadmissível", finalizou. 

O "Bom Dia, Ministro" é uma produção da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) em parceria com a EBC. O programa reúne ministros de Estado e jornalistas de emissoras de rádio e portais de notícias de diferentes regiões do país. Transmitida ao vivo, a entrevista permite que os profissionais de imprensa façam perguntas diretamente aos ministros, sobre políticas públicas, ações do governo federal e assuntos de interesse nacional e regional.