Adufg-Sindicato repudia censura contra sindicatos

A Diretoria do Adufg-Sindicato, entidade que há 48 anos representa quase três mil professores e professoras da ativa e aposentados das universidades federais em Goiás, manifesta veemente repúdio às medidas judiciais que restringem manifestações críticas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Nesta semana, a pedido da campanha do candidato, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de 13 publicações do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), com críticas ao governo Jair Bolsonaro e às propostas de Flávio para o serviço público. Em outra decisão, o ministro Kassio Nunes Marques suspendeu a circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro Unificado), que discutia os impactos das propostas eleitorais para os trabalhadores da Petrobras.
As publicações tinham como base notícias veiculadas pela imprensa, fatos relacionados às políticas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro e declarações públicas do próprio candidato Flávio Bolsonaro e de integrantes de sua assessoria.
É inadmissível que a crítica política seja tratada como algo a ser silenciado. Flávio Bolsonaro precisa compreender que propostas que afetam os trabalhadores, os servidores públicos e os direitos sociais estão sujeitas ao debate e ao questionamento da sociedade. Os sindicatos têm autonomia para se manifestar, denunciar retrocessos e alertar a população sobre projetos que consideram prejudiciais.
O Brasil viveu uma ditadura em que a censura, a perseguição política e o silenciamento da imprensa marcaram um dos períodos mais sombrios de sua história. Medidas contra a livre manifestação não podem ser naturalizadas. O legado do governo Jair Bolsonaro, marcado por conflitos com as universidades públicas, a ciência e o funcionalismo, tampouco pode ser retirado do debate público para proteger os interesses eleitorais de seu filho.
Diante de um cenário tão preocupante para a liberdade de expressão, o Adufg-Sindicato reafirma seu compromisso com a democracia, a livre manifestação e o direito à informação. A entidade defende que o debate público seja pautado pela pluralidade de ideias e pelo respeito às opiniões divergentes, sem censura ou restrições indevidas ao direito de crítica, fundamentais para a preservação do Estado Democrático de Direito.
Diretoria do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás