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Ícone de calendário08/10/2026 - Revista Fórum

Estudantes receberam ameaças de bolsonaristas antes de incêndio na UFPE: “Vamos explodir”

Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) receberam ameaças explícitas contra setores da instituição, incluindo uma mensagem que falava em “explodir o departamento” em nome de Flávio Bolsonaro, horas antes de um incêndio de grandes proporções atingir, na noite desta quarta-feira (7), a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da universidade, no Recife.

A sequência dos acontecimentos elevou a preocupação entre alunos e integrantes da comunidade acadêmica, especialmente porque a UFPE tem sido palco de grandes manifestações estudantis em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Não há, até o momento, confirmação de que as ameaças tenham qualquer relação com o incêndio. A causa do fogo ainda precisa ser esclarecida.

O caso foi denunciado também pelo deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), que publicou imagens do incêndio e relatou ter recebido informações sobre as mensagens enviadas a estudantes pouco antes do episódio.

“Horas antes, alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em ‘explodir o departamento’ em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência”, escreveu.

Jones afirmou ainda que pretende solicitar à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) uma investigação imediata sobre o episódio diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa.

“Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa”, afirmou.

Ameaças antecederam incêndio
Como a Fórum mostrou na noite desta quarta-feira, o incêndio atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife.

Segundo relatos de estudantes reunidos pela reportagem, alunos já haviam recebido mensagens com ameaças direcionadas a setores da universidade antes do fogo, com referência explícita à candidatura de Flávio Bolsonaro.

A ocorrência chamou ainda mais atenção porque aconteceu após mobilizações políticas realizadas pelos estudantes no campus. Um dia antes do incêndio, alunos haviam participado de um ato contra Flávio Bolsonaro, em meio a uma sequência de manifestações pró-Lula realizadas na universidade.

Até agora, porém, não há elementos que permitam afirmar que o incêndio tenha motivação política ou que os autores das ameaças estejam ligados ao episódio.

O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao campus para controlar as chamas.

Pesquisas podem ter sido destruídas
A área atingida tem importância estratégica para a produção científica da UFPE.

Segundo Jones Manoel, o prédio mantinha amostras e projetos relacionados a pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, entre outras áreas.

“Trabalhos de anos, projetos de IC, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos”, relatou.

A Diretoria de Inovação está vinculada ao Núcleo de Inovação Tecnológica da universidade e atua, entre outras frentes, com propriedade intelectual e transferência de tecnologia.

A dimensão exata dos danos ainda não havia sido divulgada.

Terceiro incêndio em uma semana
O episódio desta quarta-feira foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana.

No dia 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. Naquele caso, a própria universidade apontou como possível origem uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias.

Já em 5 de outubro, outro incêndio atingiu o laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências.

As duas ocorrências anteriores não deixaram vítimas.

O novo incêndio, no entanto, ocorre em um contexto distinto: horas antes, estudantes haviam recebido mensagens contendo ameaças contra áreas da própria universidade.

É justamente essa sequência que integrantes da comunidade acadêmica e Jones Manoel defendem que seja investigada pelas autoridades federais.

Enquanto não houver conclusão pericial, não é possível estabelecer relação entre as ameaças e o fogo. A coincidência temporal, porém, somada ao ambiente de forte mobilização política dentro da UFPE, colocou o episódio no centro das preocupações dos estudantes e aumentou a pressão por uma investigação que esclareça rapidamente o que ocorreu.