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Sem Lula em Goiás, ministro da Educação cumpre agenda em Goiânia e cita R$ 1,1 bilhão em investimentos

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, esteve em Goiânia nesta terça-feira (22) para cumprir agenda no Instituto Federal de Goiás (IFG) e na Universidade Federal de Goiás (UFG). A visita ocorreu em meio ao período eleitoral e à ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agendas presenciais no Estado. Durante a passagem por Goiás, Barchini apresentou números de investimentos federais na educação, falou sobre alfabetização, permanência de estudantes no ensino médio, segurança nas escolas e expansão da rede federal.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Educação, os investimentos federais em educação em Goiás chegam a cerca de R$ 1,1 bilhão. O valor engloba diferentes áreas da educação, incluindo ensino básico, educação profissional e tecnológica e ensino superior. De acordo com o ministro, os institutos federais do Estado receberam aproximadamente R$ 150 milhões, enquanto as universidades federais tiveram cerca de R$ 160 milhões em investimentos. Para a educação básica, o valor citado foi de R$ 750 milhões.

A agenda começou pelo Campus Goiânia Oeste do IFG, onde Barchini conheceu as novas instalações do prédio acadêmico e do restaurante estudantil. O espaço, segundo o ministro, estava com as obras paralisadas e recebeu R$ 16 milhões para ser concluído. A visita também ocorreu durante a 11ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que reúne projetos desenvolvidos por estudantes e atividades abertas à comunidade.

Alfabetização e Pé-de-Meia
Durante entrevista, Barchini afirmou que a atuação do Ministério da Educação na alfabetização ocorre por meio da articulação com governos estaduais e municipais. Ele citou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e afirmou que o percentual de crianças alfabetizadas na idade adequada no país passou de aproximadamente 36% para 66%. Em Goiás, segundo o ministro, o índice chegou a 80%. “Nós conseguimos avançar de algo em torno de 36% no Brasil, de crianças que se alfabetizavam na idade adequada, para 66% hoje. Dois terços das nossas crianças têm se alfabetizado na idade adequada e aqui em Goiás, especificamente, já 80% das crianças estão sendo alfabetizadas no Estado na idade adequada”, afirmou.

O ministro também falou sobre a educação quilombola e afirmou que o governo federal retomou políticas específicas para essa modalidade. Segundo ele, atualmente há mecanismos de financiamento destinados a escolas quilombolas e indígenas, além de ações voltadas a outras modalidades de ensino.

Outro tema abordado foi o programa Pé-de-Meia. Barchini afirmou que a política tem contribuído para manter estudantes no ensino médio e disse que o governo pretende ampliar o programa a partir de 2027. “O programa Pé-de-Meia é um sucesso. Tanto deu certo que, em recente estudo, o estudo nos mostrou que o programa tem um retorno de 15 vezes o seu investimento”, declarou.

Segundo o ministro, o governo federal investe entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões por ano no programa, enquanto um estudo citado por ele teria calculado um retorno socioeconômico de aproximadamente R$ 180 bilhões. Barchini também afirmou que, desde 2022, o abandono escolar caiu 61%, a reprovação recuou 62% e a distorção idade-série diminuiu 28%.

Na entrevista, o ministro ainda comentou a segurança nas escolas. Segundo ele, o MEC mantém articulação com órgãos de segurança, incluindo a Polícia Federal, para acompanhar ameaças identificadas principalmente nas redes sociais. “A gente faz um monitoramento constante com o apoio da Polícia Federal pra gente tentar evitar ao máximo esse tipo de situação”, afirmou.

À tarde, Barchini seguiu para o Campus Samambaia da UFG. A agenda incluiu visitas à Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape), ao Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), ao Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) e às obras do Espaço Intercultural.

Ministro explica ausência de Lula em Goiás
Questionado sobre a ausência de Lula em Goiânia durante o período eleitoral, Barchini afirmou que a agenda do presidente precisa conciliar os compromissos administrativos com as atividades de campanha. “É uma eleição de campanha muito curta. Então nem sempre o presidente consegue conciliar a agenda de campanha com a vinda a determinadas localidades”, afirmou.

Segundo o ministro, integrantes do primeiro escalão têm percorrido diferentes regiões para apresentar ações do governo federal. “Os ministérios, os ministros estão se desdobrando pra visitar todas as localidades pra gente mostrar pro Brasil o que nós fizemos e o que nós estamos fazendo”, declarou.

Na resposta, Barchini também fez uma comparação entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro. “É um presidente que trabalha, não fica andando de jet ski”, afirmou, em referência a Lula. O ministro disse que o atual presidente precisa conciliar a rotina administrativa do cargo com a campanha eleitoral.

A fala abriu espaço para críticas à gestão Bolsonaro. Barchini afirmou que o governo anterior teria reduzido investimentos na área e citou a proposta orçamentária apresentada para 2023. Segundo ele, o texto não previa investimentos para institutos e universidades federais e teria destinado recursos para apenas um ônibus escolar e quatro creches em todo o país. “Quando você compara quem olha pra educação e quem não olha, fica muito nítido que o governo Lula foi um governo que de fato trabalhou pela educação brasileira”, afirmou.

Barchini também aproveitou a agenda para defender a continuidade da expansão dos institutos federais. Segundo ele, a rede deve continuar recebendo recursos e ampliando sua presença no país. “Nós queremos manter essa consolidação dos institutos federais em todo o Brasil e continuar a expansão dos institutos”, declarou.

O ministro afirmou ainda que a expansão da educação em tempo integral está entre os objetivos para os próximos anos. Segundo ele, o modelo pode reunir atividades esportivas, culturais, científicas e educacionais e também contribuir para que responsáveis tenham maior disponibilidade para trabalhar.