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Adufg promove palestra sobre emoções no cinema

O Adufg-Sindicato promoveu, na última sexta-feira (11/09), em Jataí, uma palestra com o professor e crítico de cinema Lisandro Nogueira. Com o tema “As emoções no cinema: as lágrimas e o ressentimento como manipulação”, o encontro discutiu os sentimentos despertados pelo audiovisual e os mecanismos utilizados para mobilizar emoções durante a experiência cinematográfica. 

Representando a diretoria do Adufg-Sindicato, a 2ª vice-presidenta da entidade, professora Luciana Elias, participou do evento e destacou a importância de ampliar o acesso dos docentes a diferentes perspectivas e formas de interpretar a realidade. “Trazer o professor Lisandro para a nossa sede em Jataí é importante para que nós possamos ampliar as nossas perspectivas e olhares sobre aquilo que nós achamos como normal”, afirmou.

Luciana também ressaltou a relação entre os temas abordados na palestra e o cenário político atual. “Precisamos usar todos os subterfúgios e ferramentas para respondermos à altura, seja nas urnas, no nosso trabalho ou na sociedade, de modo a avançarmos de forma mais adequada”, completou.

Lisandro Nogueira abordou como o audiovisual pode influenciar a percepção e o comportamento do público. Segundo ele, o mundo constrói formas de olhar que acabam sendo domesticadas, mas o cinema pode contribuir para ampliar horizontes e questionar aquilo que é apresentado como natural. “O cinema pode te causar muito prazer, mas ele também pode ser uma armadilha”, argumentou.

O professor chamou atenção, ainda, para o ressentimento mobilizado por determinadas narrativas e para a forma como as emoções podem interferir na capacidade de análise crítica. “Nós somos tomados pelas emoções, e quanto mais dominados nos encontramos, menos racionais e críticos acabamos sendo”, afirmou.

Depoimentos
A professora Sabrina Toffoli, do Instituto de Ciências da Saúde da UFJ (ICS/UFJ), destacou como a palestra provocou reflexões sobre diferentes aspectos da vida cotidiana e da prática docente. “Tudo me fez pensar em sociedade, dia a dia, e, em especial, na docência como um processo de interação com meus alunos, me ajudando a enxergar o mundo da maneira que eles o fazem”, disse.

Já a professora Daviane Moreira Silva, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL/UFJ), relacionou a discussão apresentada por Lisandro à sua experiência como docente de Literatura. Para ela, a mobilização das emoções é um recurso recorrente em diferentes formas de narrativa.

“É um recurso muito recorrente, e o mais interessante é perceber como as emoções vêm sendo deslocadas dos formatos ficcionais, como a literatura e o audiovisual, para outro tipo de discurso, como a política. Hoje em dia, tais narrativas, independente do espectro, são elaboradas para mobilizar raiva, compaixão ou revolta, deixando a informação em segundo plano”, declarou.